quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Inconstâncias

Dúvidas, incertezas, desarranjos, desalinhos, desequilíbrios, indecisão... palavras constantes na vida de alguém como eu. É lógico, e eu já citei aqui, na mente de todo ser humano pelo menos uma vez já surgiu a pergunta " quem sou eu?". Mas, posso afirmar para portadores desse distúrbio ela ecoa penosamente e insistentemente.

Porque você não sabe se nesse "efeito sanfona" de vai e vem, o som por ti produzido é do movimento ou se esse timbre reproduzido é seu, ou seja, você nasceu e é assim. Nada é "ritmado" na rotina de um bipolar. Desde suas mais suaves emoções até o mais intenso sentimento.

Acredito que vem daí um dos sintomas do episódio de mania: o pensamento extremamente acelerado. Segundo, minha médica somos dotados de grande inteligência mas, para processar esse tsunami de variações o nosso cérebro padece.

Uso deste blog para extravasar, o que não consigo verbalizar em um momento de crise, por exemplo. Por isso, incentivo minha família e amigos mais próximos a lê-lo. Para, que possa facilitar o entendimento e a convivência comigo e minhas alterações.

Durante um dos comentários falados dos meus escritos, surgiu a ideia de fazer uma série de postagem para exprimir o pensamento deles sobre mim e todos os difíceis momentos vividos. Porém, durante a última consulta regular com a psiquiatra, fui acompanhada de minha prima e melhor amiga. Confesso a vocês: o resultado foi longe do esperado.

Me ver através dos olhos dela, não foi nada agradável. Mesmo, que em todo tempo eles se mantivessem doces e com olhares amorosos como ela sempre dirigiu a mim. Machucou ouvir as verdades que tanto me esforço em esconder. E, naquele momento se tornaram claramente evidentes.

E, igualmente doloroso foi ouvir aquilo que não concordo. Não sei, se por que me senti em parte injustiçada por uma das pessoas mais importantes da minha vida ou, se foi pelo fato de que não sei se realmente são defeitos meus que ainda não percebi ou quiça aceitei.


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Em preto e branco

Além da crise eminente, aprendi com minha psiquiatra que o TBH (Transtorno Bipolar do Humor) tem níveis e tipos. Os níveis medem o quanto o transtorno vai afetar sua vida ( em uma escala de um a cinco, sendo o um em menor intensidade) e os tipos é se você tende a mania ou a depressão.

Eu tenho o transtorno em nível um e do tipo dois, tendência a depressão. Já comentei em meu primeiro post, que nós bipolares vamos de um extremo a outro do humor. Hoje, vou tentar transmitir o que é uma crise de depressão pra nós.

Você está no curso "normal" da sua vida, nada de grandes emoções... os sentimentos se mantém estáveis sem grandes oscilações. De repente uma energia, uma sensação se transforma em lágrimas de emoção. Nada muito bizarro para uma pessoa como eu do tipo "manteiga derretida" (choro até em comercial de tv) mas, em segundos o choro se torna de tristeza e segue compulsivamente.

Pronto, a tristeza me arrebatou... com tanta intensidade e de uma maneira tão inesperada que atordoada não faço noção de onde o golpe certeiro saiu e pq ele veio. Uma angustia toma meu peito e eu só sinto o dolorido "apertar". Num segundo o mundo perde a cor e meu ser se torna desesperança, nada me agrada, nada me consola.

Os olhos ardem, o rosto incha.. não consigo enxergar, não consigo parar de tremer, não consigo me conter. Tudo que aprendi, tudo que acredito, tudo que defendo parece desaparecer... eu não sou mais eu. A minha razão se cala totalmente, não adiantar apelar... a dor grita, impõe, sufoca!

E eu só consigo pensar: não tem jeito, não tem jeito. Não, embora eu esteja naquele momento perdida nas trevas, querendo o fim de todo aquele sofrimento eu não vou tentar contra minha vida. Eu sei se tivesse êxito a dor se multiplicaria e meu momento na escuridão se prolongaria. Nessa armadilha não caio mais.

Mas, um sentimento de círculo vicioso de tentativas de seguir a vida e evoluir parece esbarrar no abatimento de mais uma vez estar entregue a minha debilidade. Sinto como se estivesse presa aos meus problemas e que não conquistei nada... penso afinal, qual o sentido da minha existência? Nada parece justificar a minha estada aqui, nesse planeta, nessa vida, agora.

sábado, 23 de junho de 2012

Crise Eminente

Depois da minha última crise que eu relatei em Prelúdios do recomeço, é que eu finalmente me aceitei como portadora do Distúrbio Bipolar do Humor. Comecei a ler a respeito, identificar os sintomas em mim e conhecer as estórias de pessoas que como eu e sofrem da mesma desordem. Como isso afetou sua vidas e como elas lidam com a doença.

Isso foi realmente muito instrutivo e libertador eu diria.. Após, fui conhecer o tratamento, pesquisei todos os remédios que eu consumo para poder entender para que cada um serve e, como isso funciona no meu organismo. Tudo dentro da normalidade até aí.... até eu descobrir que mesmo eu fazendo o tratamento completo corretamente (medicamentoso + terapia) eu posso ter uma crise a qualquer momento! É claro que não me deixei levar por uma informação de uma única fonte e esclareci com a minha psiquiatra e, ela confirmou a veracidade.

Oh My God!!! então faço tudo direitinho e mesmo assim posso ter uma crise??? Tipo assim do nada??? E lá vem a sensação de impotência de novo... sou impotente perante minha própria vida ainda que eu faça o tratamento corretamente, impotente diante de minhas próprias emoções, impotente ante minhas ações...

Mais um obstáculo a frente. E, com ele aprendi a me conhecer melhor, perceber as nuances do meu humor, como os sentimentos se refletem em mim, quais as minhas reações, qual o meu sistema de defesa. Posso dizer estar no caminho de descobrir a resposta que o transtorno trouxe para minha vida e é o tema da minha terapia: Quem é a Karen??? É óbvio meu entendimento que todo ser humano passa a vida querendo se descobrir, se entender, se conhecer. E nós bipolares, além de homens e mulheres comuns com todos conflitos e dificuldades intrisecos de nossa raça ainda, temos uma doença que muda nosso humor, sensações, emoções e ações??? 


É como se diz: a vida segue. o tempo não para e o mundo não espera suas feridas cicatrizarem... então, "bora, lá" as dificuldades existem mas, a capacidade de vence-las também!




terça-feira, 29 de maio de 2012

É necessário plantar

O que é a nossa mente? Que poderes ela tem? Até onde ela pode nos levar? De que maneiras podemos chegar a esses destinos?

Em aula numa típica noite de segunda-feira, alguns vídeos de liderança e auto-conhecimento são apresentados. Naquele silêncio, no breu, no vai e vem das imagens e suas mil cores, o som da voz do narrador e a trilha sonora escolhida a dedo, me fazem viajar...

Me remetem a infância onde tudo é possível, onde meu imaginário é aguçado pelos filmes, revistas, livros e brincadeiras. De caçar fantasmas, viajar a Terra do Nunca ou ser uma princesa no meu Belo Castelo. Onde as colchas viravam vestidos de baile ou capas que me permitiam voar...

Dos anos onde tudo é diversão vem os anos em que se começa a pensar em decisão. E a pergunta mais pertinente se faz: o que você vai ser quando crescer? Ou seja, o que você quer fazer a maior parte da sua vida? Aquilo que você vai estudar para chegar a conquistar e lutar para manter...

Num mundo globalizado oferecendo mil oportunidades, eu vou pra que lado? Não conseguia tomar uma decisão precisa, nem ao menos a direção a seguir. Então um sentimento, uma vontade tomaram conta de mim: eu tinha que ter um propósito, deixar minha marca nesse mundo, contribuir com a humanidade!!! Talvez achando a cura de alguma doença, ajudando na educação do país, levando amor e esperança aos abandonados...

Mas, o tempo passa e a minha saúde não me permite andar por caminhos de maneira mais reta possível para atingir meus objetivos... Longe disso, com 23 anos entrei na Universidade pela primeira vez. Para cursar Licenciatura em Geografia, desisti no meio do curso. Realizei meu grande sonho ao ingressar no curso de Psicologia, tive de parar no primeiro semestre após minha primeira tentativa de suicídio. Comecei Processos Gerenciais e larguei no meio do curso, totalmente desmotivada. 

Caminho difícil, não consegui perseverar... descobrir que você tem uma doença crônica e incurável na qual você não controla as suas emoções.... NÃO CONTROLA SUAS EMOÇÕES..... aceitar, tomar no mínimo sete comprimidos por dia para que o seu humor seja estável....ESTÁVEL....então eu tenho que me manter estável, sim...pq se eu fico um pouco mais feliz: eu estou eufórica! Se eu fico um pouco mais triste: eu estou depressiva! E, se eu chorar...chama a SAMU que ela vai cortar os pulsos....

Não importa a sua crença ou a minha. Mas, existe Uma Força Maior que nos criou, nos rege e me mostrou o outro lado da minha própria estória. Não me formei como professora de Geografia mas, tive o privilégio de dar aula para uns alunos muito fofos dos quais eu guardo boas lembranças, suas lindas cartinhas e seus presentes repletos de carinho. Dei aula de informática e a maioria dos meus alunos viraram amigos. Nos meus treinamentos as avaliações são sempre positivas e meu abraço é famoso na empresa. Sempre nas minhas internações, recebi muita força e carinho através de visitas, bilhetes, cartões, flores, presentes.... Hoje tenho esse blog e recebo manifestações de apoio, incentivo e carinho. Tudo isso pode ser uma pequena parte mas, é a minha sementinha plantada para um resultado melhor pra mim, pra quem eu amo, pra sociedade em que estou inserida.

Pois, aprendi com a minha querida médica psiquiatra e adotei como meu lema: EU TENHO O TRANSTORNO BIPOLAR MAS, ELE NÃO ME TEM.


Beijos no coração, muita luz!!!



domingo, 20 de maio de 2012

Prelúdios do recomeço

A vida que parecia seguir seu curso natural... com tudo numa boa, começa a ruir. Na medida em que os remédios acabavam eu não me empenhava para que eles fossem repostos. Sempre com uma desculpa, "não gosto de pedir" ( os remédios para bipolaridade em sua maioria são medicamentos novos e por isso muito caros) ,"estou bem" então sem acompanhamento psiquiatrico e sem remédios os sintomas começaram a aparecer.

Minha relação com a minha mãe estava mais difícil que o normal, tanto que um dia ela disse não me querer mais em sua casa. Sugeriu minha volta a casa do meu pai. Falei com ele, não muito contente, e ele trocou de assunto. É, agora estava sem casa. Logo, pensei em alguém em que eu confiava e nunca me deixou na mão: minha madrinha. Ela já tinha me oferecido abrigo quando eu estava me separando e, ela adora a Maya (minha cachorrinha). 

Entretanto a vida as vezes dá suas reviravoltas. Estou trabalhando em uma tarde qualquer quando, recebo a ligação da minha mãe... ela estava nervosa e falava correndo. Para resumir a história, o telefonema foi o inicio do processo de volta ao meu apartamento. Eu o havia arrendado quando morava com meu ex namorado e o qual tinha deixado para minha prima e melhor amiga e sua familia. Porém, por algum motivo eu tive de voltar a viver lá.

Todavia lá é o lugar onde eu me separei, tive minha primeira crise, criei uma realidade só minha que me machucava muito e onde tentei pela primeira vez acabar com a minha vida. Contudo na hora, não pensei nisso. Fui resolver as coisas práticas. Mas, foi tudo rápido demais.... confuso demais e ninguém pensou em nenhum momento se eu ia ficar bem.... inclusive eu.

Sem escolha eu fui. Ninguém me ajudou a fazer a mudança, no ap tinham 2 lâmpadas, tv e internet nem pensar. Por uns dez dias vivi num verdadeiro acampamento. Só que eu tinha minha liberdade e blá, blá, bla... era o discurso lindo proferido por mim as pessoas. E, os dias passavam, era trabalho, faculdade e fim de semana tinha que me divertir com meus amigos. E eu tinha pique pra tudo, quase não dormia a noite,  estava irritada mas, mais sociavel, comecei a gastar muito, pouca concentração,... princípio de uma crise.

Um dia acordei e minha vontade era de continuar dormindo por toda eternidade. Me sentia desanimada, triste, angustiada, lenta, sem energia. Não fui trabalhar, não comi nada e nem água tomei. 

Fiquei assim dois dias, até pedir ajuda para minha mãe. O alerta, ligou na família: A Karen está em crise! Todos me ligavam e ajudavam da maneira que podiam. Fui consultar com uma nova psiquiatra que eu tinha visto uma vez antes de decidir abortar meu tratamento. Me senti acolhida por ela e fui totalmente sincera. Disse que eu pensava em morrer porque a dor no meu peito e a falta de esperança estavam me prendendo no mais fundo dos poços. Mas, disse também que não tentaria me matar pois, sabia não ser a solução. O que eu queria era ficar bem e não fazer mais sofrer aqueles que me amam e querem meu bem.
Ela não pediu minha internação, o que houve foi uma internação domiciliar. Fiquei em casa e só tinha que ter alguém comigo para dar os remédios na hora e dose certa e cuidar da minha alimentação. Minha mãe, madrinhas e tias ser revezavam nessa tarefa. Apesar de ter sido uma crise muito dolorida para mim, por decepções e injustiças que vivi nesse período eu melhorei. Contudo, foram dois meses fora das minhas atividades... porém não foram em vão porque depois dessa crise um novo recomeço e uma nova fase iniciou. 

domingo, 29 de abril de 2012

Começando bem!

Estava num enorme salão com muitos homens e mulheres... com vários tipos de doenças mentais e vícios (álcool, crack, medicamentos...) até que uma enfermeira me chamou para entrar uma fila. Subimos, alguns médicos estavam atendendo, inclusive a residente que cuidava do meu caso. Entrei numa salinha estreitinha que mais parecia um corredor e estavam ela e outro estudante. Foi quando ela proferiu a famosa frase "Karen você sofre de distúrbio afetivo bipolar" eu já falei com seus pais e, provavelmente por isso os outros tratamentos não fizeram efeito e você teve que ser internada.
Bom, tirando minha opinião pessoal dela, realmente ela tinha razão. Ao mudar o tratamento, fui ficando cada vez melhor e mehor. Depois de um mês no inferno que é o Hospital Espiríta de Pelotas (Hospital, não chamem de hospício isso me irrita e me magoa profundamente), finalmente fui para casa. Mas, apesar do hospital ser um horror, ao mesmo tempo dava segurança. Eu era bipolar e não tinha idéia do que era isso, tinha perdido o semestre na faculdade, pela milhonésima vez tinha que arranjar coragem pra voltar ao trabalho.... 
Sacode a poeira e vamos lá! Comecei a trabalhar de novo (como sempre o pessoal dando o maior apoio e mostrando que não é em vão que a gente se chama de Família C.O.), fui me preparando psicologicamente para mudar de turma e de turno na faculdade. E a vida foi seguindo, as coisas se encaixando e eu me sentindo bem.... e o tempo passa e eu: bem...... continuava e eu: bem...... até que eu: tive a brilhante idéia: estou me sentindo bem então, não preciso mais tomar o remédios!!! E parei. Sabe oq aconteceu? Sim? Não? Ah, te conto na próxima   ^  ^

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Diagnóstico, o início!?

Pergunta totalmente sarcástica! É Ó - B - V - I- O  que o diagnóstico não é o começo da história de qualquer um de nós bipolares. Há antes muitas depressões, emoções, manias, alegrias.... é um andar de gangorra uuuuu se está lá em cima com a brisa suave tocando sua face e no outro segundo aaaaaa se está no chão e o banco de madeira bateu com toda força.
O meu diagnóstico veio depois de no mínimo seis anos de idas e vindas, psiquiatras, psicólogos, vários tipos de medicamentos para depressão, medicina alternativa.... e essa é a parte leve. Até o " você sofre de transtorno afetivo bipolar" houveram as internações, tentativas de suicídios, quase falência dos meus pais, esgotamento psicológico de ambos, minha família inteira vivia numa tensão... faltou só fazer um trato com o coisa ruim hehehehe até que uma residente de nariz empinado de um hospital público descobriu a charada e aí sim foi o inicio.....mas essa fica para próxima ;o)