A vida que parecia seguir seu curso natural... com tudo numa boa, começa a ruir. Na medida em que os remédios acabavam eu não me empenhava para que eles fossem repostos. Sempre com uma desculpa, "não gosto de pedir" ( os remédios para bipolaridade em sua maioria são medicamentos novos e por isso muito caros) ,"estou bem" então sem acompanhamento psiquiatrico e sem remédios os sintomas começaram a aparecer.
Minha relação com a minha mãe estava mais difícil que o normal, tanto que um dia ela disse não me querer mais em sua casa. Sugeriu minha volta a casa do meu pai. Falei com ele, não muito contente, e ele trocou de assunto. É, agora estava sem casa. Logo, pensei em alguém em que eu confiava e nunca me deixou na mão: minha madrinha. Ela já tinha me oferecido abrigo quando eu estava me separando e, ela adora a Maya (minha cachorrinha).
Entretanto a vida as vezes dá suas reviravoltas. Estou trabalhando em uma tarde qualquer quando, recebo a ligação da minha mãe... ela estava nervosa e falava correndo. Para resumir a história, o telefonema foi o inicio do processo de volta ao meu apartamento. Eu o havia arrendado quando morava com meu ex namorado e o qual tinha deixado para minha prima e melhor amiga e sua familia. Porém, por algum motivo eu tive de voltar a viver lá.
Todavia lá é o lugar onde eu me separei, tive minha primeira crise, criei uma realidade só minha que me machucava muito e onde tentei pela primeira vez acabar com a minha vida. Contudo na hora, não pensei nisso. Fui resolver as coisas práticas. Mas, foi tudo rápido demais.... confuso demais e ninguém pensou em nenhum momento se eu ia ficar bem.... inclusive eu.
Sem escolha eu fui. Ninguém me ajudou a fazer a mudança, no ap tinham 2 lâmpadas, tv e internet nem pensar. Por uns dez dias vivi num verdadeiro acampamento. Só que eu tinha minha liberdade e blá, blá, bla... era o discurso lindo proferido por mim as pessoas. E, os dias passavam, era trabalho, faculdade e fim de semana tinha que me divertir com meus amigos. E eu tinha pique pra tudo, quase não dormia a noite, estava irritada mas, mais sociavel, comecei a gastar muito, pouca concentração,... princípio de uma crise.
Um dia acordei e minha vontade era de continuar dormindo por toda eternidade. Me sentia desanimada, triste, angustiada, lenta, sem energia. Não fui trabalhar, não comi nada e nem água tomei.
Fiquei assim dois dias, até pedir ajuda para minha mãe. O alerta, ligou na família: A Karen está em crise! Todos me ligavam e ajudavam da maneira que podiam. Fui consultar com uma nova psiquiatra que eu tinha visto uma vez antes de decidir abortar meu tratamento. Me senti acolhida por ela e fui totalmente sincera. Disse que eu pensava em morrer porque a dor no meu peito e a falta de esperança estavam me prendendo no mais fundo dos poços. Mas, disse também que não tentaria me matar pois, sabia não ser a solução. O que eu queria era ficar bem e não fazer mais sofrer aqueles que me amam e querem meu bem.
Ela não pediu minha internação, o que houve foi uma internação domiciliar. Fiquei em casa e só tinha que ter alguém comigo para dar os remédios na hora e dose certa e cuidar da minha alimentação. Minha mãe, madrinhas e tias ser revezavam nessa tarefa. Apesar de ter sido uma crise muito dolorida para mim, por decepções e injustiças que vivi nesse período eu melhorei. Contudo, foram dois meses fora das minhas atividades... porém não foram em vão porque depois dessa crise um novo recomeço e uma nova fase iniciou.
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