terça-feira, 29 de maio de 2012

É necessário plantar

O que é a nossa mente? Que poderes ela tem? Até onde ela pode nos levar? De que maneiras podemos chegar a esses destinos?

Em aula numa típica noite de segunda-feira, alguns vídeos de liderança e auto-conhecimento são apresentados. Naquele silêncio, no breu, no vai e vem das imagens e suas mil cores, o som da voz do narrador e a trilha sonora escolhida a dedo, me fazem viajar...

Me remetem a infância onde tudo é possível, onde meu imaginário é aguçado pelos filmes, revistas, livros e brincadeiras. De caçar fantasmas, viajar a Terra do Nunca ou ser uma princesa no meu Belo Castelo. Onde as colchas viravam vestidos de baile ou capas que me permitiam voar...

Dos anos onde tudo é diversão vem os anos em que se começa a pensar em decisão. E a pergunta mais pertinente se faz: o que você vai ser quando crescer? Ou seja, o que você quer fazer a maior parte da sua vida? Aquilo que você vai estudar para chegar a conquistar e lutar para manter...

Num mundo globalizado oferecendo mil oportunidades, eu vou pra que lado? Não conseguia tomar uma decisão precisa, nem ao menos a direção a seguir. Então um sentimento, uma vontade tomaram conta de mim: eu tinha que ter um propósito, deixar minha marca nesse mundo, contribuir com a humanidade!!! Talvez achando a cura de alguma doença, ajudando na educação do país, levando amor e esperança aos abandonados...

Mas, o tempo passa e a minha saúde não me permite andar por caminhos de maneira mais reta possível para atingir meus objetivos... Longe disso, com 23 anos entrei na Universidade pela primeira vez. Para cursar Licenciatura em Geografia, desisti no meio do curso. Realizei meu grande sonho ao ingressar no curso de Psicologia, tive de parar no primeiro semestre após minha primeira tentativa de suicídio. Comecei Processos Gerenciais e larguei no meio do curso, totalmente desmotivada. 

Caminho difícil, não consegui perseverar... descobrir que você tem uma doença crônica e incurável na qual você não controla as suas emoções.... NÃO CONTROLA SUAS EMOÇÕES..... aceitar, tomar no mínimo sete comprimidos por dia para que o seu humor seja estável....ESTÁVEL....então eu tenho que me manter estável, sim...pq se eu fico um pouco mais feliz: eu estou eufórica! Se eu fico um pouco mais triste: eu estou depressiva! E, se eu chorar...chama a SAMU que ela vai cortar os pulsos....

Não importa a sua crença ou a minha. Mas, existe Uma Força Maior que nos criou, nos rege e me mostrou o outro lado da minha própria estória. Não me formei como professora de Geografia mas, tive o privilégio de dar aula para uns alunos muito fofos dos quais eu guardo boas lembranças, suas lindas cartinhas e seus presentes repletos de carinho. Dei aula de informática e a maioria dos meus alunos viraram amigos. Nos meus treinamentos as avaliações são sempre positivas e meu abraço é famoso na empresa. Sempre nas minhas internações, recebi muita força e carinho através de visitas, bilhetes, cartões, flores, presentes.... Hoje tenho esse blog e recebo manifestações de apoio, incentivo e carinho. Tudo isso pode ser uma pequena parte mas, é a minha sementinha plantada para um resultado melhor pra mim, pra quem eu amo, pra sociedade em que estou inserida.

Pois, aprendi com a minha querida médica psiquiatra e adotei como meu lema: EU TENHO O TRANSTORNO BIPOLAR MAS, ELE NÃO ME TEM.


Beijos no coração, muita luz!!!



domingo, 20 de maio de 2012

Prelúdios do recomeço

A vida que parecia seguir seu curso natural... com tudo numa boa, começa a ruir. Na medida em que os remédios acabavam eu não me empenhava para que eles fossem repostos. Sempre com uma desculpa, "não gosto de pedir" ( os remédios para bipolaridade em sua maioria são medicamentos novos e por isso muito caros) ,"estou bem" então sem acompanhamento psiquiatrico e sem remédios os sintomas começaram a aparecer.

Minha relação com a minha mãe estava mais difícil que o normal, tanto que um dia ela disse não me querer mais em sua casa. Sugeriu minha volta a casa do meu pai. Falei com ele, não muito contente, e ele trocou de assunto. É, agora estava sem casa. Logo, pensei em alguém em que eu confiava e nunca me deixou na mão: minha madrinha. Ela já tinha me oferecido abrigo quando eu estava me separando e, ela adora a Maya (minha cachorrinha). 

Entretanto a vida as vezes dá suas reviravoltas. Estou trabalhando em uma tarde qualquer quando, recebo a ligação da minha mãe... ela estava nervosa e falava correndo. Para resumir a história, o telefonema foi o inicio do processo de volta ao meu apartamento. Eu o havia arrendado quando morava com meu ex namorado e o qual tinha deixado para minha prima e melhor amiga e sua familia. Porém, por algum motivo eu tive de voltar a viver lá.

Todavia lá é o lugar onde eu me separei, tive minha primeira crise, criei uma realidade só minha que me machucava muito e onde tentei pela primeira vez acabar com a minha vida. Contudo na hora, não pensei nisso. Fui resolver as coisas práticas. Mas, foi tudo rápido demais.... confuso demais e ninguém pensou em nenhum momento se eu ia ficar bem.... inclusive eu.

Sem escolha eu fui. Ninguém me ajudou a fazer a mudança, no ap tinham 2 lâmpadas, tv e internet nem pensar. Por uns dez dias vivi num verdadeiro acampamento. Só que eu tinha minha liberdade e blá, blá, bla... era o discurso lindo proferido por mim as pessoas. E, os dias passavam, era trabalho, faculdade e fim de semana tinha que me divertir com meus amigos. E eu tinha pique pra tudo, quase não dormia a noite,  estava irritada mas, mais sociavel, comecei a gastar muito, pouca concentração,... princípio de uma crise.

Um dia acordei e minha vontade era de continuar dormindo por toda eternidade. Me sentia desanimada, triste, angustiada, lenta, sem energia. Não fui trabalhar, não comi nada e nem água tomei. 

Fiquei assim dois dias, até pedir ajuda para minha mãe. O alerta, ligou na família: A Karen está em crise! Todos me ligavam e ajudavam da maneira que podiam. Fui consultar com uma nova psiquiatra que eu tinha visto uma vez antes de decidir abortar meu tratamento. Me senti acolhida por ela e fui totalmente sincera. Disse que eu pensava em morrer porque a dor no meu peito e a falta de esperança estavam me prendendo no mais fundo dos poços. Mas, disse também que não tentaria me matar pois, sabia não ser a solução. O que eu queria era ficar bem e não fazer mais sofrer aqueles que me amam e querem meu bem.
Ela não pediu minha internação, o que houve foi uma internação domiciliar. Fiquei em casa e só tinha que ter alguém comigo para dar os remédios na hora e dose certa e cuidar da minha alimentação. Minha mãe, madrinhas e tias ser revezavam nessa tarefa. Apesar de ter sido uma crise muito dolorida para mim, por decepções e injustiças que vivi nesse período eu melhorei. Contudo, foram dois meses fora das minhas atividades... porém não foram em vão porque depois dessa crise um novo recomeço e uma nova fase iniciou.