sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Projeto Renascer

Nunca antes tinha conseguido parado para pensar como me sentia apos a cada crise, depois de retomar a rotina, ter quer encarar as consequências de "cara limpa". Hoje resumo em algumas palavras, ainda ineficientes para representar o todo: vergonha, incapacidade, humilhação, vulnerabilidade e claro a sempre companheira solidão. 
Porque ser bipolar é ser sozinho em meio a um turbilhão de sentimentos e emoções, entre a eterna briga de pensamentos seus e do transtorno, pois no final a luta é uma só.
Com certeza o tratamento é vital e a ajuda dos familiares e amigos confortadora mas, no final das contas é você contra o transtorno ou no que ele te transforma. Então é você versus você mesmo. 
É tão difícil lidar com as reviravoltas que a doença te leva, principalmente quando você se mantém por um bom tempo estável, consegue vitórias significantes e depois vem uma crise devastando e destruindo quase tudo. 
Como se isso não fosse o bastante no final te leva a um buraco mais fundo do que você já esteve antes. É lá que me encontro no momento. Tá certo que a essa altura já consigo ver uma luz e a ponta da corda que vai me resgatar dessa profunda escuridão. 
Tenho 32 anos de idade e hoje não posso responder legalmente por meus atos, não posso trabalhar, não tenho domínio sobre meus bens. O transtorno e as crises me trouxeram até aqui. Estou em processo de curatela.
Durante nove meses e com tutela regrada, sendo diminuída gradativamente a cada três meses. Preciso reaprender a viver, deixar que meu cérebro se restabeleça, fazer por merecer a confiança e conquistar mais uma vez minha liberdade.

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